quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Erro Fatal

Ser simples torna qualquer exigência um capricho, ser complicado torna qualquer cedência uma benção.

A d'Ontem



Ele anda, normalmente, com duplas, porque, no dizer do próprio nas suas vestes da Fanã, "não mordo tanto quanto pareço e mordo menos do que mereço".
A d'Ontem era esta musa.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

En hommage

à segunda adolescência da Blue, devo dizer que apesar de exausto

- sim, também por isso -

foi bom receber o quarteto fantástico, ouvir os seus delírios (quase) monotemáticos, pontuar aqui e ali com uma visão exterior, abastecer as divas de combustível - catalizando a sua verve - e, até, ficar só, na sala, a limpar os despojos daquela noite que, para elas, terminaria de manhã.

E, ainda melhor, rever o seu sorriso que acompanha o nascimento de relações com uma felicidade infantil.

Nota do Editor

O regresso dos posts revela uma certa pacificação com o autor, mas não uma pacificação acrítica com a comunidade (a blogger incluída).

Update

O perfil abaixo mantém-se actual. Leio e releio e só muda a idade. Vou mudá-lo agora antes de ele ficar ainda mais desactualizado.
Ficará assim por mais um ano e eu, durante esse ano, um ano mais novo.

Chão Nosso

"Os Trovante (1) começaram no dia 4 de Agosto de 1976, em Sagres, quando um grupo de amigos se juntou para fazer música. A sua formação original era constituída por João Nuno Represas, Luís Represas, Manuel Faria, João Gil e Artur Costa".

Há 36 anos um grande amigo - daqueles cujas intermitências, por mais duradouras que sejam, são inócuas - nasceu e começou a relacionar-se com o Mundo Exterior.

31 anos depois, dou, pela primeira vez - se descontarmos um aperto de mão ao Manuel Faria, no fim do concerto no Campo Pequeno, taquicárdico de excitação - de caras com um deles, para concluir, como eles terão concluído há 31 anos, que o dia 4 de Agosto é, aliás como qualquer outro, um óptimo dia para começar relações.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

O hábito faz o monge



O Rival Bimbo confessa-se e, de uma penada, cede à insistência do psicólogo do Amélia e dá-lhe o figurino que ele há tanto reclamava.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Mónica e Zé (mas take 2)

Final da Champions (parabéns, Maldini) em casa da Mónica e do Zé, ouvindo-os falar do mais recente membro da família e das suas manias e feitios, da forma como descarrega a pressão, dos necessários cuidados, no manuseio e transporte, dos barulhos que faz de noite, da dificuldade que é sair de casa para beber uma imperial em qualquer lado, das especiais cautelas que nasceram - também agora - na escolha da casa de férias, que não pode ser demasiado quente, da quase impossibilidade de beberem um bom vinho, e, last but not least, da necessidade de aquele novo ser ser encarado de frente, sem medos, e passado para os braços dos amigos, sem receios e com o altruísmo de quem gerou uma vida.

O bebé não chora, mas tira as melhores imperiais do mundo.

Regresso em Diabinho

O meu F. regressa a casa, depois da mais prolongada ausência (três dias, duas noites) em acantonamento escolar, com os seus.

Cabeça cheia de estórias para contar e de uma nova personagem, o Diabo.

Fujo, como o Diabo da cruz, da resposta à inevitável:

-"Pai, o Diabo existe?" e

devolvo com o pedagogicamente aprovado

- "o que é que TU achas?"

obtendo em resposta

- "O meu coração acha que sim e o meu cérebro acha que não".

Salto para medos:

- "que são lutas entre o coração e o cérebro".

Remata:

- "o cérebro do Vasco está a ganhar ao coração, que o Vasco já conseguiu fazer uma festinha ao cão do acantonamento, o Tejo".

quinta-feira, 29 de março de 2007

Fernando the JazzMan # 3

"Vem aqui ter comigo e partilhamos pensamentos. Pensamentos talvez não, que não sou capaz. Partilhamos memórias".

Menina (emprestada) em casa pelo fim de semana (parte 2)

Eu gostava de me lembrar como era lá dentro, na barriga da minha mãe.

Menina (emprestada) em casa pelo fim de semana (parte 1)

Não tens champô com amaciador?

vai uma partidinha, Guga?


domingo, 18 de fevereiro de 2007

novo desafio, linguístico, bloguístico e não só

erradicar a adversativa "mas".

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Queres ser meu amigo outra vez?

Digo a mim próprio, num regime que me penaliza pouco, que já era tempo de estarmos juntos outra vez. Decido perdoar-me, e a ti, esperando ser retribuído, a distância que acumulei, também de mim próprio, por apenas 77 euros devidos em função de forfaits não usados, que, já que perguntas, já devolveram, sim.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

No (further) comments

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Amor de Amizade

T.: Sabes que eu já decidi que vou casar com um homem?
F.: Ah sim?
T.: Sabes que eu já decidi o nome dele?
F.: Qual é? (sorriso nervoso detectado ao espelho)
T.: É francisco. Mas eu ainda não decidi se és tu ou o Martins...
F: O caracoleta?
(...silêncio)
T.: Sabes que eu às vezes tenho o meu corpo a empurrar-me para o pé de ti para te dar um beijinho na bochecha?
(...silêncio)
M. (o outro indiscreto): OH TERESA TU ÉS NAMORADA DELE!!!
T.: tenho amor por ele, mas é amor de amizade.

xiiiiiiiiiiuuuuuuuuu ou Fernando the JazzMan # 2

F.: "Gosto dele porque ele fala como tu, baixinho. Falar baixinho é uma vantagem."

quarta-feira, 19 de julho de 2006

you will never walk alone


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segunda-feira, 17 de julho de 2006

Pergunta do dia

Surfaste bem, pai?

Relaaaaaaaaaaaaaaaaxa

Brincadeira Matinal: olhar para os carros do lado, pessoas e tudo, e dizer o que gostam mais e menos.

Carro da Direita:
(condutora: europeia)
F.: Do relógio da senhora;
M.: Do carro.

Carro da Esquerda:
(condutora: africana)
F.: De nada;
M.: É uma empegada! É uma empegada!

Intervenção de Pai preocupado com o preconceito racial é abortada:

M.: Tem um vestido aos quadadinhos!

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Egotrip graças ao Sevéme

Meu querido joao. Sao os teus pes que eu beijo, por seres tao atencioso e lindo, interior e exterior. Muito obrigado e bom fds. bjs, muitos

quinta-feira, 6 de julho de 2006

relativizar

Uma das maiores belezas da paternidade é olhar com ternura para a embalagem de Pára-Pio (oh!, departamento de marketing, oh!, apelo ao consumo!) colocada no parapeito da janela da casa de banho dos anfitriões.

segunda-feira, 3 de julho de 2006

formiga

Uma formiga na Barriga
Que tá fazendo coceguinha
e não me deixa dormir

Ama farmaga na Barraga
Qa tá fazanda cacaganha
a não ma daixa darmar

Eme fermegue ne Berregue
Que te fezende qeqeguenhe
e ne me deixe dermer

imi firmigui ni Birrigui
Qui ti fizindi qiqiguinhi
i ni mi dixi dirmir

omo formogo no Borrogo
Qo to fozondo cocogonho
o no mo doxo dormor

umu furmugu nu Burrugu
Qu tu fuzundu cucugunhu
u nu mu duxu durmur

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Mudança de Agulha

Black Soul



Novas rotinas das terças de manhã, os miúdos trocam cromos da bola com os colegas, eu troco discos de Jazz com o Fernando, o caucasiano. Entrego-lhe este e ouço:

"Quê, brancos?!"

Respondo: "e tu?"

Oiço: "Mas eu tenho uma Black Soul"

Generation Gap - Take 1




M., 4 anos, a propósito da Black Eyed Peas: "Tu não gostas destas músicas, pai, só gostas de corneta!"

segunda-feira, 15 de maio de 2006

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Um bom momento:

"É o mesmo que acontece, tenta Perowne convencer-se a si próprio, quando se clipa um aneurisma: absorve-se a variação de um tema imutável"

quinta-feira, 11 de maio de 2006

back to basics

O único requisito para ser vizinho de uma escola é ser mau, concluo eu, ao entrar na escola dos meus filhos e dar com o M. a chorar, que o vizinho não devolve a bola, que ele já pediu, que jaz no jardim à espera do cão

e a Clara, que o M.chama de avó:

"ele nunca devolve, ela às vezes devolve, quando ele não está"

(e eu vou, em teletransporte, até casa deles, sento-me na cozinha a vê-los discutir sobre os miúdos que choram e sobre as bolas que o fartam e ela faz tomatada enquanto diz: "no fim do ano devolvo-as todas, sem tu saberes e depois digo que as furei e as deitei fora e tu vês isso como um triunfo")

(e vou também, no mesmo shuttle, até ao meu colégio, encostado à rede, com as mãos a ganhar a cor e o cheiro da ferrugem, a mulher que nunca víamos, mas que tinha uma faca onde ficavam as bolas que nunca voltavam para este lado da rede, por muito que esperássemos. Consta que ela, em requinte de malvadez, devolvia as bolas de borracha imaculadamente cortadas ao meio, como queijo flamengo.)

quinta-feira, 13 de abril de 2006

An open letter – or an intimate review – about Keith Jarret’s Endless

11pm and I lie in the hot bathtub, my laptop echoes through the window, and only an incompatibility between water and electronics prevents me from beginning this text, which result and purpose I ignore, as I will probably do by its end, provided it ends.

It probably took 5 to 7 years to get Endless from ECM’s shelves into my father-in-law’s and into my hands, as my first ever attentive listening jazz record. Of course I ignore the time delay in which it evolved lonely in the authour’s head, but it was worth every second.

Although I dislike and, for personal reasons which are not worth considering, I tend do refrain a very bold evocative style, I proudly confess that this theme still – and will, probably ever – wakes, every time I play it, even when at repeat mode, the same light of hope as it did for the first time, in the early-90’s.

Although I was not fortunate enough to be “blessed” by a musical gift, I keep the pleasure and the joy of relating myself with music on a very – one would say –simplistic way of like or dislike, which has probably prevented me to go deeper in several occasions, but allowed me to follow my instinct, in a quite non-scholar way.

Sometimes I imagine how the author relates himself about this part of his musical history. I guess in the musical creative work there is always a part of connection and a part of disconnection. Sometimes I care about it. Sometimes I do not. This text begins a new era of confusion, as an Endless doubt about my (excessive?) care and the fear of rejection.

My conceptual relationship with musical themes does not arise as often as probably a mainstreamed orientation with recommend; most of the times, the music does not enter my grey areas in a very conscious way and I only relate with it in a superficial and epidemic way – and I or part of me dance.

I have always thought Endless as a continued (Endless?) struggle between hope and disbelief and always have looked and heard into its last four accords as my discrete, future, endless and hopeful hope in life, as my safety net, as my last resort.

I am sure there are several – musical and or mathematical, highs and lows, beats per minute, and on and on, and on and on - theories, on notes and so on, which are good to explain my reaction as part of a predictable brain. I prefer to live every second of each experience, with the music silences, with the music and the author’s shouts, with my urge to silence, with my urge to shout, with my urge to cry, with my urge to smile and with my urge to laugh.

I tend to think that one can never say that he is crying on and over music, only. This comes to me as a background, which involves and embraces your other feelings. With Endless, the world has appeared in a fairly less monochromatic way, and brought me my inner joys and my inner pain and, most of the times, my inner joy in a form of dry tears of happiness – not as transitory joy, but as a profound and, dare to say, Endless way.

quinta-feira, 16 de março de 2006

dos 35 aos 5, de garfo na mão

Embora na realidade nunca tivesse pensado muito nisso, nunca esperei ver aparecer, debaixo do molho da francesinha, a frase

"quem não trabuca não manduca"

escrita, no fundo do prato, em letras, vermelhas e pretas,

tal como certamente seriam vermelhas e pretas as letras em que a escreviam os camaradas do MRPP que a transformaram em slogan de campanha PREC, ao ponto de me fazer pedir à minha mãe que me deixasse trabalhar para não morrer de fome.

segunda-feira, 13 de março de 2006

RG, piloto aviador francês e duas das suas pérolas:

1. "A coisa mais difícil de ter reuniões nos Estados Unidos não são as horas de voo, não é o jet lag; é jantar com americanos a contarem, sic, "American Jokes"";

2. "Quando a minha mulher me diz que eu tenho um emprego muito difícil, respondo sempre: pois, "that's why I love it so much1"

sexta-feira, 3 de março de 2006

A prova



da inexistência de Deus é a chuva em dia de ténis.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Jogo de Espelhos

A pergunta mais difícil da minha vida, pela angústia existencial com que o F., de 6 anos, me confronta:

F: "Pai, tu és 1 dread ou 1 beto?"

(...e não vale a pena pensar que a resposta é fácil, porque a dificuldade está em não ser o que parece)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Blue Train



Enquanto não estouro o aumento em discos...

The Waterboy



O meu Waterboy preferido já não é o Mike Scott, esse companheiro de insónia, mas o meu irmão do Norte, aka "rei das festas brutas" ou Presidente da Associação das Àguas, esse homem que, jurando que não se pastilha, vive de garrafa de água de plástico no bolso e que não tem sede, antes está "desidratado".

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Role playing em Boa Hora

Visto do banco das testemunhas, aquela espera, aqueles rituais decrépitos, aquela sala imensa, aquelas vestes negras, aqueles 3 que cochicham por cima da instância da Procuradora, que usa o silêncio para captar a atenção

- como eu fazia, a medo, durante os exames orais -

a parafernália de gravadores, amplificadores, cassettes, casse-têtes, aquele frio, todo aquele espaço, todo aquele papel, aquele funcionário que passou a tarde, de um lado para o outro, com um só papel na mão, aqueloutros três vestidos de negro, que disfarçavam a igualdade conferida pela beca com óculos channel e botas de salto agulha,

nada daquilo faz sentido.

83 anos,

sapatos de vela, meias de lã, calças de bombazina, camisa de flanela, um casaco de lã, um blazer (de lã) e uma canadiana

- castanha -

um boné que pousava elegantemente no joelho, de perna traçada, e numa conversa de ocasião, de salão, de espera para depor como testumunha arrolada pela acusação
(resistindo, ambos, a tentar fazer as pazes com Deus - the truth and nothing but the truth - e com o Diabo do arguido, mentindo-lhe (ou seria ao contrário?!), a revelação de uma história de vida, de uma vida em comum com a sua

"companheira", âncora,

"veja esta foto aqui, no dia do nosso casamento", "e esta aqui, no Luso, no casamento de uns amigos", "tinha uns olhos lindos, sempre teve"

resumida num papel, imaculadamente dobrado e manuscrito, que distribuiu à família e aos amigos, no Natal passado, agradecendo à "companheira", âncora,

"cremada, como eu também vou ser, porque nós combinámos isso", a energia que lhe deixou para, apesar da solidão, continuar a gostar de levar com o vento e a chuva na cara.

Quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita:

ou de como um improvável encontro se transforma num provável desencontro.

história da galinha e do ovo na era da globalização (alternative take)

"Is my life my blog or my blog my life?"


(James Marsh, in "bloglifters of the world: unite and take over")

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Antonio, em autoretrato:

"Muito terra a terra, e com um happy end."

E, a propósito, duas confissões:

1. quem me dera, quer uma, quer outra;
2. o "tom de restelo" em que a ouvi dá à frase toda uma outra dimensão.

Fernando

O Fernando (um informático de esquerda, saxofonista cá do burgo) abordou-me no carro, pedindo-me os documentos. Dei-lhe boleia, de que ele não precisava, para o menos 2 e ele sentou-se, pôs as penas dos indios do xi na cabeça, fechou os olhos e disse: "isto é miles, isto é miles de certeza". E era, claro.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

história da galinha e do ovo na era da globalização:

o governo é patrocinado pela Microsoft ou a Microsoft é patrocinada pelo Governo?

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

highlight

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Sorte

ou lá o que foi que eu tive,

porque em vez de ouvir o primeiro discurso do novo PR, fui graciosamente forçado a ler o Harry Potter, o que,

apesar de tudo,

(pelo que pude ver no resumo, cheio de bandeirinhas nacionais, Marias e Patrícias e netinhos de calçõezinhos)

é muito menos assustador !

(até para uma criança de 6 anos)

you're a fucking mustard !!!



deparo com o cartaz alusivo, caído, inclinado, tombado contra a parede num bar em que não fazia qualquer sentido - a não ser uma mera conexão formal, tipo país de origem - e vou, a 200Km/hora, muito "catalizado", para a mesa da sala em casa dos meus pais - jantar - e para as mãos do meu pai, colher de madeira das pequeninas, a tirar da lata com o rebordo enferrujado (parece que tem a ver com as educações do post-guerra) o pó e a misturá-lo com dois pingos de água (duas lágrimas) numa peça de porcelana azul, que nunca serviu para outra coisa e que hoje, apesar de ainda existir, não deve servir para nada.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

dúvida existencial

O árbitro tem mesmo de apitar 3 vezes, no fim do jogo?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

rumores ex post

Consta - a little bird called Vassily told me - que a mãe do Freitas

- "mãe querida, mãe querida" -

afinal,

é mesmo tida por Deus.


O filho, esse, consta apenas que morreu.

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

grandparental or professional expertise?

"Estes gatos são muito do agrado dos teus filhos, sobretudo do Baia, que
imita o gato a cheirar as flores...
Foi um gosto estar com eles: o Francisco, inteligente, atento, lindo, com
óptima memória, um desafio permanente ao nosso controlo emocional pelo seu
grau de exigência; o Baia afectuoso, alegre, também lindo, belo dançarino e
cantor, um pouco gritão quando contrariado. Requerem muita atenção, mas
também dão muito amor."

in memoriam

felizmente está vivo, mas se o Freitas, hoje toxicodependente em recuperação, podia dizer "que deus tem" sempre que se referia à senhora sua mãe (viva, embora triste, cada vez mais triste) eu também devo poder dizer isso, quase (arredondado por defeito, que começo a ter idade para isso) vinte anos depois, quando, improvavelmente, reencontro o Boto, o meu companheiro de todos os dias entre os 13 e os 15 e o poupo - porque a sua imperturbável, frígida e perfeita cara metade também estava à mesa de café - à lembrança de uma playboy com a Joan Collins e a Victoria Principal que devorávamos (fica, que assim é equívoco) quando estávamos sozinhos em minha casa em Benfica, aquela cujas paredes mudavam de cor, do verde ao tijolo, de quarto para quarto.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

(Re?) Inaugurações

Os pés da Leonor Farmhouse, colega de escola e Karaté do F., nas minhas mãos e, com a segurança de quem me mandou, noutro dia, fazer a barba para não a picar, a (re?!) constatação:

"tens as mãos tão quentinhas"

O regresso aos relvados, com uma novidade: o primeiro elogio em brasileiro, vindo do Lúcio, no seu ar de jogador do Boca Juniors no princípio dos anos 80:

"Boa, Goleiro!"

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Nuance

F: Pai, podemos ter uma estante maior e nova para por os livros?
P: sim, mas agora não, que este mês está difícil, temos de guardar um bocadinho de dinheiro e depois podemos fazer isso, está bem?
F: sim, está bem; mas olha, não podíamos ser ricos?

[e a coisa é sentida como uma imperdível oportunidade para a moralização eterna]

P: não. olha que ser rico não é perfeito, tem coisas boas e coisas más: os pais estão menos com os filhos, os filhos passam mais tempo sozinhos porque os pais estão muitas vezes no estrangeiro, os filhos passam mais tempo com as empregadas.
F: pois pai, mas não podemos só ter muito dinheiro, sem sermos ricos?

terça-feira, 18 de outubro de 2005

o Agô

é o avô da S. e, na realidade, é o maior:

87 anos de experiência, savoir faire, ternura, e

- com toda a probabilidade -

o homem com maior experiência em desligar o complicador do mundo inteiro.

a frase da noite não é minha, é de um autor discreto com azedume no máximo:

"Eu estou naquela fase em que as prefiro ligeiramente feias e com um ar consolável."

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Copacetic

Today's Word:
Copacetic (Adjective)
Pronunciation: [ko-pê-'se-tik]
Definition: More than satisfactory, fine, running very smoothly, going quite well.

Usage: This term is rarely used outside North America. It was popularized by the dancer Bill "Bojangles" Robinson (1878-1949), the African American dancer who was so popular that schools were closed in New York when he died. Later it spread among developers of the U.S. space program. Its profile has lowered since then. If you do not like our spelling, "copsetic" will do just as well.

Suggested Usage: The term is perfect if you want to express an intensified "O.K." without going so far as "excellent" or "outstanding." "That solution isn't just good, it's positively copacetic." This word has overtones of "congenial", too: "Things are not so copacetic at the office right now; the new director is a bit overbearing."

Etymology: Today's word entered the language around 1919 among black jazz musicians, but its etymology is unknown. Etymologists have speculated that it originates from an African word in southern U.S. Black English, from the Yiddish phrase kol b'tzedek "all with justice," the Creole French word coupersètique "able to cope with things," and from the Chinook word copasenee, "everything is satisfactory." Take your pick.

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Saldo Zero?

Is the price you pay for intimacy equal to the price you save with your reserve?

terça-feira, 9 de agosto de 2005

premonição ou atraso?

Depois de um fim de semana de campismo a 4, com deitar e acordar ao som de grilos e ondas, com a cabeça de fora da tenda a ver os ramos do pinheiro e o céu e as estrelas entre eles, hesito entre a consagração maníaca da minha capacidade premonitória do meu post de 17 de Setembro de 2004 e a verificação, em vertente self-pitty, dos 11 meses de atraso na consumação do sonho, optando pela primeira, que eu não tive nenhuma namorada enfermeira mas também tenho direito à auto-estima.

Tributo ao Paulo, a.k.a. o Pauo Uindo

Montamos a tenda no quarto de brincar, o F. e o M. dormem lá dentro, depois de, no corredor às escuras, jogarem à apanhada entre as luzes que saem das lanternas.

terça-feira, 26 de julho de 2005

Summer Shortcuts

Caminhadas na praia, iPod no bolso, a areia lisa, sem pegadas, os calções perto da cabana do pescador e o banho solitário. O mesmo passeio repetido a 4, com os putos entregues ao improvável trio formado pelos pais do filhinho da mamã e a mamã da filhinha do papá.

O "lanchinho" na esplanada, até às 10 da noite, seguido de um potentíssimo digestivo, de seu nome "tiro-e-queda", servido pelo ansiado Dinis, de olhos raiados de tanto tiro, numa garrafa de "fervorosa" que invejámos e que ele reteve "por tradição da casa" e, depois -mas só para os mais duros - um shotzinho de "tiro e tomba".

Tomba dos putos, com Harry Potter (assim, com H aspirado)seguido de Queda e Tomba, a 4, no sofá.

E, já de regresso, o improvável encontro com o F., daquelas pessoas que, nem que fosse só pela beleza, seria sempre um prazer rever.

A nossa razão de ser

embasbacado com o hurricane M., perplexo e imóvel perante o seu poder de conquistar o mundo e de o mudar, devo ter libertado um olhar resignado que levou o enfezado pescador/ cozinheiro a

a dizer-me

(mas só depois da confissão "que não tinha família, porque aquilo de que ele gostava,

MESMO

era de cozinhar"):


"é assim que nós vemos a nossa razão de ser"

e,

enquanto eu ainda meditava, agarrado ao sentido mais literal da expressão,
a explicar-me

que somos assim porque os nossos pais se empenharam em nós.

Férias repartidas

Na verdade - como diria a X., do alto dos seus 5 anos acabados de fazer -, para além da evidente agregação de fins de semana, as férias repartidas trazem consigo o prazer dos regressos e, com um pequeno intervalo quase lúcido para trabalhar (pouco) a fantástica antecipação do prazer de reentrar de férias.

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Salamandras Humanas

A propósito da J., que pega em brasas e panelas a ferver com a mão, fica - apesar da preocupação que gera o facto de ser já o terceiro - mais um tributo ao T., que nos lembrou que essa maravilhosa expressão nos vem

from the back of the mind

de uma colecção de cromos, nos idos de 80, sobre os recordes do mundo.

Capacidade de Observação?

O meu filho F., depois de estar no meu gabinete 20 minutos pergunta:

"Ó pai, porque é que vem tanta gente aqui ao teu gabinete?"

Só deu para me rir, chamar o A. e confrontá-lo com a evidência na boca de uma criança.

terça-feira, 21 de junho de 2005

Tributo ao Júlio, a.k.a. Jumá.

Em 1981 o meu pai regressou de uma longa ausência profissional nos Estados Unidos da América e - apesar de terem perdido a mala dele, que depois chegou a nossa casa numa forma que, ao tempo, me era misteriosa e me fez re-acreditar nas cegonhas de paris - trouxe prendas fantásticas.

Lembro-me de uns tacos - um azul e um vermelho -, feitos de espuma, com que jogámos horas infindáveis de basebol e, em particular, de uns headphones para cassetes de marca Accona, com um estojo azul. A causa teve o seu primeiro efeito quando passei a gravar o TopTNT em cassetes em cujas caixas e autocolantes escrevia "Vários" e que me acompanhavam para o Colégio, quase todos os dias.

O segundo efeito foi melhor que o primeiro: o Júlio, meu amigo do peito de então, gravou-me duas cassetes em que escreveu "Duran Duran" e "Men at Work", e iniciou-me, então a sério, à mais maravilhosa das paixões e ao mais fantástico dos coleccionismos.

Não admira que, quando os ouço, no incógnito ou no iTunes, me lembre de nós a percorrer o pátio do colégio, a partilhar os headphones.

Como um cliché se diz com um cliché, um straight forward diz-se assim, com as palavras:

Vai correr tudo bem.

sábado, 18 de junho de 2005

Por exemplo:

"Lot of people have various definitions about what jazz is and what jazz isn't.And after all these years I have come to the conclusion that all music, if it's played well, is good; if it's not played well, is not so good."

(intro a Good & Bad; Povo feat. Ed Thigpen, in Saint Germain des Prés, Vol.6)

Há determinadas coisas que, quando entram na nossa vida, a mudam completamente

Uma delas é a tartaruga que hoje entrou cá em casa, a pedido do M..

Desconfio que, para o puto, era claro que, a partir deste momento, ele deixou de ser o boneco da casa; agora, só lhe resta treinar o bicho para parceiro de cambalhotas, mergulhos e derrapanços e sacanços de peões. A "ilha" - assim lhe chamava a embalagem - é aproveitada como rampa de skate pelo M., que ensina à ninja as artes do skiming, do surf e do body board perante o espernear que o M. se recusa a entender como um pedido de ajuda até que a carcaça assenta, para sempre (?) no fundo do aquário.

A outra coisa - imagino - são os casinos, em que o aperaltado pato bravo estoura aos centos de contos em slot machines com uma requintada técnica importada: prime o botão de "aposte 3 fichas" e, com 1600 créditos, tranca - como fazíamos, nas campainhas, com os palitos - o botão da aposta com um cartão de plástico do clube-in (until you're out) do casino e, farto de preliminares, se recosta na cadeira, a ver a contagem dos créditos acumulada subir e descer (mas quase sempre descer).

O homem vela o seu cartão pela noite fora; eu velo a tartaruga a tarde inteira.

terça-feira, 31 de maio de 2005

O melhor apanhador de pulgas da areia

do mundo é o F., que as apanha às 5 de cada vez e as põe no fundo do balde, depois de me ensinar que as mais fáceis de apanhar são - paradoxalmente - as maiores e que a melhor técnica, recomendada em todos os livros da especialidade, é mandar-lhes com areia para cima e depois apanhar o conjunto.

O F. também apanha carochas, mas essas não precisam de ir para o balde. Basta enterrá-las na areia e por um pau a marcar o sítio onde as enterramos. Depois, só tens de te lembrar onde está o pau, tirar o pau e cavar, que elas ainda lá vão estar.

Apostado em melhorar a técnica, o F. despeja o balde com as 7 pulgas em cima das carochas, enterra-os e marca o território com um pau de gelado. Passados perto de 10 minutos e apesar de eu o tentar demover, com medo da sua frustração, lá as consegue encontrar de novo, às carochas e às pulgas da areia, que devolve à natureza.

A frase

mais adequada ao contexto de todos os tempos, ouvimo-la no concerto dos Duran Duran, rodeados de people like us, quando a S. me perguntou quem é que cantava o original que ouvíamos agora cantado pelo Simon cheio de cortisona para aguentar um concerto (e, nem assim o aguenta todo) e, de trás de nós, ouvimos, da boca de um Roadie:

"Era a Donna Summer" e,

perante a nossa (agora evidente) incredulidade,

o reforço com:

"eu tenho o vinil"

terça-feira, 24 de maio de 2005

e agora, coisas boas

Saída à noite com a S. e o ZN, o mais fanático dos lampiões, que, por impulso conjugal que lhe permitiu controlar a avareza, atravessa o atlântico por um fim de semana e ruma ao bessa.

Encontro, na mesma noite, com o A. e M., que me perdem em gargalhadas por força da sua imutabilidade: hoje, como há 10 anos atrás, a M. não sabe o seu telemóvel e conserva uma ingenuidade e uma loucura invejáveis, que lhe trarão e, porventura, evitarão alguns dissabores; o A. continua a gozar o pratinho todo sem que o interlocutor perceba, continua a não se deixar gozar, continua aparentemente solteiro - oh, mistério insondável - e, como no 12º ano, continua a não se comprometer, nunca, a não ser no abraço de final de noite.

Um sofrimento maravilhoso

é como o NR, convencido pelo meu irmão M., aos 50 anos, a levar o filho adolescente ao futebol, descreve a sua nova paixão, ao mesmo tempo que, nas roulotes, de imperial em punho, descreve com os olhos marejados a alegria de ver passar a camioneta com os jogadores do SCP.

"Ele ficou encantado!", é a frase que um avô usa para descrever a alegria do neto quando eu, o M. e o D. o levantámos nos nossos braços e festejámos um golo, por sugestão do M., apostado em garantir que aquele miúdo, um pouco mais velho que os nossos mais velhos, não mais esqueceria aquele momento.

O SCP mostra, mais uma vez, ser o clube do quase: Quase que eliminou o SLB, quase que foi campeão, quase que ganhou a UEFA. Agora, como ouvia na escola primária, "agora só falta o quase".

11 anos depois

os lampiões pintam a manta de vermelho.
Seria algo que, ultrapassada a fase da derrota pessoal, digeriria com relativa tranquilidade - perante a indignação do meu pai e do M. - não fosse a súbita irritação por ter de conviver com um colega que representa tudo aquilo que eu odeio num benfiquista: futebol na televisão, que o estádio é perigoso e cheio de primários, desprendimento nas fases negras do clube, apego e paixão maníacos na fase das vitórias, anti-sportinguismo primário que o leva a esquecer-se de festejar as vitórias com os colegas benfiquistas sem antes botar abaixo os colegas sportinguistas.
Eu, que gosto de sacrificar o meu sportinguismo em homenagem às minhas relações pessoais, confesso que isso me faz uma imensa impressão.

11 dias depois

e ainda não perfeitamente recomposto de uma semana excelente sob o ponto de vista profissional e completamente arrasante sob o ponto de vista desportivo, volto a ter a tranquilidade - quer profissional, quer desportiva - para regressar a este espelho, sedento de divã.

sexta-feira, 13 de maio de 2005

1 ano a mais e um dente a menos

No dia em que o M completa 3 anos, o F perde um dente, arrancado carinhosamente na escola pela PB, porque "ela é que é a arrancadona de dentes lá da escola, pai".

domingo, 8 de maio de 2005

Maniqueísmos - Take 1

Apesar de nos podermos sempre socorrer de umas fórmulas muito seguras, do género dividir o mundo em "os amigos e os outros", e apesar de qualquer das seguintes poder ser integrada em qualquer dos lados da anterior, é sempre bom saber que, numa situação de desespero, podemos dividir o mundo entre os que

dormem na praia

e os que

não dormem na praia porque faz imenso mal.

Spots - Take 2 - O Juvenal

é o concessionário [o legalizado, o da direita, o limpinho, o imaculado, com multibanco e factura, que o outro, o do Dinis (o da esquerda, nem por isso, nem pensar, só dinheiro ou paga amanhã, que eu não ve vou embora, você também não, qual é a pressa?!), mantém-se a viver dos proventos da barraca, como se nada fosse] do restaurante da praia do Carvalhal e, porque faz parte do estatuto, tem negócios de imobiliário que deixa ao sogro, "garanhão" de seu nome, pescoço e colo adornados por uma corrente que traz pendurado um falo dourado - por certo que não é de pexibeque (fica assim).

Esta malta que divide o território com uma passadeira de madeira empresta-nos a ilusão de pertença, a sensação de familiaridade dos pés descalços e com areia, que nos leva a convidar os amigos, os velhos e, às vezes, como hoje, os novos, a passar um dia naquela praia, com vista para aquele mar e para aquelas dunas que por vezes me fazem antecipar a reforma, perder o título académico, passar a 'Ti e deliciar-me com o sotaque.

rumo ao verão.

Bossacucanova, live in Lisbon.

quinta-feira, 5 de maio de 2005

You'll never walk alone

quarta-feira, 4 de maio de 2005

Perspicaz

[do lat. perspicace.]Adj.2.g.1.Que vê bem; que observa; penetrante.
2.Dotado de agudeza de espírito, ou que denota essa qualidade; fino, sagaz; observador; homem perspicaz, observação perspicaz, olhar perspicaz.3 Inteligente, talentoso [Sin. ger.;perspícuo.Superl abs. sint.:

PERSPICACÍSSIMO!]

a propósito de mais um episódio de transparência pessoal e com a inestimável colaboração do Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 2ª Edição, Revista e Ampliada, Editora Nova Fronteira

6ª feira à noite - take 3

6ª feira à noite - take 2

terça-feira, 3 de maio de 2005


6ª feira, noite - take 1

sexta-feira, 29 de abril de 2005

Auto Reparadora Central

Puto da vida - por ter sido abalroado por um fogareiro (Sr. fogareiro, como diria o PdG) em fúria, que levantou o carro do chão e pôs o M. a chorar e a dizer que tinha ouvido tiros - entro na garagem, na manhã seguinte, para orçamentar o dano.

Sou recebido ao som do Don't cry for me Argentina, entoado em coro pelo bate chapas, o pintor e o mecânico, do fundo das almas nada entranhadas pelas manchas de tinta e óleo que carregam nas roupas e nas mãos que transformam as minhas mãos, naquele instante do cumprimento, em mãos de senhora bem tratada num qualquer centro estético da capital.

terça-feira, 26 de abril de 2005

Não que precisássemos,

porque não haveria silêncios incómodos entre nós, mas o iTunes em party shuffle é uma maravilhosa companhia.

A nova decadência

da tv nacional não é a quinta das celebridades, não é o Herman - que já ninguém lhe liga, com as stripers escritoras e os transsexuais decadentes, a cantarem em playback uma música a dar ares de techno mas mexendo os lábios ao ritmo de um fado marialva - mas um pretenso programa de apanhados/ teste a fidelidade do seu conjuge/ veja se o seu sócio é sério/ se o seu filho gosta de si/ se você gosta de si, mas com miúdos de 16 anos, sentados numa esplanada ao pé da escola secundária, de que só vi e verei a apresentação.

Há uns dias, olhava-se para estes programas, importados desse grã-mestre da tv, o Brasil, com a tranquilizante desculpa de que os protagonistas eram adultos, que sabiam o que faziam, e que a apanhadora merecia sofrer porque quis jogar e que o apanhado merecia sofrer porque não conseguia ser mais forte que a moral de meia tigela do mainstream audiovisual.

Agora, que nos tornamos mais complacentes ainda, a idade já não interessa. E é só mais um degrau.

Da estante verde

Johny the kid

na relva, a rebolar com o J. e o Baia "outra vez, outra vez, só mais uma!", a puxar pelo G, "remata com o esquerdo, corre, corre para o espaço vazio", e o M. atrás, "xaço jagio, pai, xaço jagio, pai".Rodo o Baia, o J. e o G. até ficarem tontos, tontos a cair, e pedem mais, e mais, e caem, e caem.

Eu, o M. e o D. jogávamos à bola, na relva, com os miúdos das outras casas. E ninguém nos ganhava, nem ganha, nem quando o D., à baliza, apanhava bichos e plantas enquanto a bola entrava...

E o F, vindo de casa, com as cartas, e os conjuntos, por cores, por famílias, por parentescos, e uma insondável combinação de variáveis "made in Xi", em que os elementos das famílias se pegavam ao colo - o resto não percebi mas joguei e disfarcei.

O jogo era meu ou dos meus irmãos e resistiu, naquela casa, até hoje, em que foi eleito o objecto transitivo do F.

Abraçado, por trás, pelo G., o empregado da semana, a dizer, "muito giro esse jogo, tio", e o pai, o tio, a adormecer na relva para fazer de monstro a que os quatro primos têm de roubar os tesouros, e gargalhada, e molhada e os putos ganham, depois de tudo roubado à baleia anfíbia.

A piscina era de plástico, cor de laranja, e num ano bom, houve um upgrade de uma de dois níveis para uma de quatro, e passávamos horas a correr, de um lado para o outro, para saltarmos lá para dentro. No fim de verão a piscina era tirada a ficávamos todos a ver o círculo mágico que deixava marcado na relva.

A S., a J e o M. deixam-me dormir até ao meio dia. Depois de mim, só acorda o T., o nosso hóspede, que compensa o seu silêncio com a gargalhada com que brinda as nossas estórias da véspera.

O fim de semana acaba, com a viagem de regresso, declarações de amor a 4 e o meu cantil cheio, que o F. nos ama, em versão G, "como de ir da terra a todos os planetas e voltar" ou, em registo próprio, "como se uma pessoa estivesse a contar até 160 mil e infinitos".

sexta-feira, 22 de abril de 2005

Onde está o wally?

Excesso de intimidade, violação, invasão, é o que sinto quando sou obrigado a tocar na escova de dentes (velha, gasta, usada) que a colega que eu mais odeio deixou em exibição no lavatório do wc, em exibição pública bigbrotheriana que me repugna ao ponto de pegar na escova, enojado, com os dedos em pinça, e arrumá-la dentro do armário, entre pochetes femininas presumivelmente com objectos de higiene intima diária (ou não), pastas de assuntos sem dossier, arquivo morto e anexos de processos crime que nunca ninguém leu ou lerá.

quinta-feira, 21 de abril de 2005

e, nem de propósito

volto ao verdinho (cuja D.Dona H. apelida - e creio que bem - de snack), onde sou recebido pela lilás, que atira, à minha chegada, de chofre, como se tivesse lido o post de ontem: "está-se a rir?"

Com a consciência pesada pela instrumentalização de ontem, já corado e tenso, arrisco um "é o seu ar de má que me faz rir" e paro a boca por aqui, mas ainda me oiço dizer "de nervoso".

A C. vela por mim: "não pense tanto, não pense tanto" e, da mesma penada, brinda-me com o nome da colega que tanto me atemoriza e que o PdG, sem hesitação, chamaria de sufragista:

"Ó Pimenta, posso levar a loiça?"

Duvido que Pimenta seja nome próprio e, também por isso, não tem direito a inicial.

quarta-feira, 20 de abril de 2005

Spots - Take 1 - O verdinho

nem se chama assim e é, como o próprio nome indica, um lugar popular.
Ao contrário do que o nome indica, não tem nenhuma ligação com o Sporting. Nenhuma, porque os donos são tão pardacentos que aquele balcão não se alimenta dessas conversas, mas apenas de rapidez, eficiência e alguma - q.b. - simpatia.
No verdinho encontro colegas de escritório, em passagens fugazes ou de auto comiseração por não almoçarmos sentados.
No verdinho encontra-se a D.H. dona, sempre vestida - que não se farda - e sempre com aquele seu ar potencialmente frígido de quem encara a sexualidade como dever de ofício que surpreenderia todos os que não conhecessem o seu marido, o Sr. V., "the king of pamonhas".
Do lado de lá do bar militam ainda 3 moçoilas do interior, todas de bata verde às riscas, mostrando as pernas sem saias ou calças - que os frigoríficos fazem um calor dos diabos! -e as sandálias de enfermeira: C., D. ou a lilás cujo nome e inicial desconheço, tal é o meu medo da sua agressividade.
E, em todo o caso e talvez por isso, continua a ser muito bom passar por lá.

segunda-feira, 18 de abril de 2005

granny

recordo, já com alguma distância histórica muito útil neste tipo de coisas, a senhora, sempre muito magrinha, sempre muito enrugada, sempre tão pitosga que assumia a alcunha de mrs. maggoo e se ria com o boneco da tv, sempre muito bem posta, sempre muito cheirosa, sempre muito crítica, sempre muito cívica, sempre muito centrada, sempre muito opinativa.

e revejo-a muitas vezes, sempre de bengala, a entrar na pastelaria do bairro, para pedir uma sanduiche e uma groseille.

rito,

"conjunto de cerimónias prescritas para a celebração de um culto":

Encontro na Versalhes como 1 hora e meia de antecedência, prego excelso e mergulho no metro, compra de bilhetes de ida e volta, chegada ao Campo Grande virados para a porta da esquerda, saída pela porta do correio da manhã, buja nas roulotes perante o olhar enojado do progenitor, subida e entrada no estádio, ida rápida à casa de banho, café, subida da bancada, distribuição dos lugares, golo, esperança, intervalo, sala de convívio - rito dentro do rito - nova subida, cenários obrigatórios - "temos de marcar até ao minuto 70" - minuto '70. novo golo, mais esperança, mais golos, abraço colectivo, com desconhecidos ao barulho. Regresso no mesmo metro, distribuição familiar e telefonemas aos amigos sportinguistas, com quem, mesmo não estando, também passei aquelas duas horas que tomaram conta de mim.

segunda-feira, 11 de abril de 2005

Psícologos de trazer por casa

Sou acordado, depois de noite completa e complexa com a S., pelo M., deitado em cima de mim, mão e beijos na minha cara. E, depois, naquele seu jeito de quem avisa que nos topa à légua:

"pai, oia mim, pai; tu vai rir".

E canta: "pim pim pom pim pim pom pi".

E eu ri, claro.

Umas horas depois, o F., para o M.: "olha, tu só pensas que tens piada, mas não tens!"

Sorrimos.

sábado, 9 de abril de 2005

Bring the boys back home - the 1st comeback

uma vantagem colateral

do iPod é que os discos começam, lentamente, a regressar do carro e do escritório a casa, e, depois de uma breve e higiénica passagem pela drive de cd's do portátil, às suas saudosas caixas.

the flavour of the moment



No dizer dos Autores: "We have prepared "uma batida diferente" especially for your musical enjoyment. For the full benefits of this heady mix of beats and melodies, please secure a tranquil moment, select the right company and relax your mind and your eyes. Let our soundwaves take you to the magnificent sunsets of Ipanema beach. Allow the batuque to loosen your body and enchant your soul. Have a groovy journey, enjoy!"

terça-feira, 5 de abril de 2005

I am scared to death

.

e a memória do "afro-americano", 2 metros e 140 kilos, a derreter-se em suor, em suor de medo, confessado pelo próprio a mim e à S., dois desconhecidos, perante a impotência do amigo que só sorria e nos agradeceu, cumplice, termos passado os 3 minutos da descida a falar com ele, perdendo grande parte da viagem.

segunda-feira, 4 de abril de 2005

Os feios

são normalmente, nas histórias infantis, os maus.

Na realidade, os maus nem sempre são feios e os feios nem sempre são maus.

Tento explicar isto ao F. e deparo-me com a minha própria angústia ao beijar as faces de pessoas tão feias, tão feias, que, na impossibilidade de fechar o livro, me apetece cumprimentar de aperto de mão, apesar de isso ser potencialmente tão deslocado como desatar a correr pela sala queimando folhas de papel ou despejando garrafas sobre o tapete de arraiolos.